FAMÍLIAS CONTEMPORÂNEAS: QUEM CUIDA DE QUEM?

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Entendemos como caminho natural que primeiro os pais cuidam de seus filhos e que os filhos cuidarão dos seus pais já idosos. Isso continua acontecendo em muitas famílias, mas não podemos esquecer que há outras configurações familiares que, consequentemente, modificarão o cuidado domiciliar também.

FAMÍLIAS CONTEMPORÂNEAS

Aquela imagem que tínhamos de uma pessoa jovem cuidando de seu familiar doente mais velho, hoje em dia já não é mais tão verdadeira. A própria configuração das famílias está cada vez mais dinâmica. Então, as famílias hoje não são mais só o pai, a mãe e as crianças. Temos outras configurações como apenas a mãe e seus filhos, ou então, o pai e seus filhos. Além disso, temos mães e avós cuidando de crianças, sendo as mulheres as responsáveis financeiramente pela família toda. Casais homoafetivos com filhos e casais heterossexuais que não desejam ter filhos.

Isto provoca uma mudança nas configurações familiares que, por sua vez, provocará uma mudança nos lugares de quem cuidará de quem, precisando que nos reposicionemos com relação ao cuidado de nossos familiares havendo assim, novas possibilidades.

POSSIBILIDADES

É cada vez mais comum o número de jovens adultos por volta dos seus 40 anos vítima de AVC ou acidente de trânsito, que acabam acamados necessitando de cuidados. Em geral, quem cuidará deles serão seus pais, muitos já idosos. E precisarão dispor de uma energia física e emocional que muitos vezes já não possuem mais.

E você deve estar se perguntando se essa pessoa não era casada? Já não possuía sua própria família?

Quando eu entrei no home care há quase 10 anos atrás era comum que as jovens esposas cuidassem de seus maridos, o que vem mudando. Muitas preferem “devolver” para a família original (pai e mãe) e ajudar como podem e/ou financeiramente.

Já nesta época, era raro encontrar jovens maridos que cuidassem de sua esposas, estando elas sempre aos cuidados de suas famílias originais. Há muitos casos também em que o paciente volta para a família original sem nenhum apoio da família que construiu, sem nem sequer receber uma visita dos filhos de tempos em tempos.

Outro exemplo é quando o paciente é o idoso arrimo de família, ou seja, é ele quem sustenta toda a família com a sua aposentadoria. E se ele morrer, a família não terá como se sustentar porque não herdará essa aposentadoria por qualquer motivo. O que fazer?

Muitas vezes quando se tem uma equipe de cuidado domiciliar, as relações podem ficar confusas e estremecidas, já que este familiar não pode piorar seu estado clínico e a equipe acaba ficando muito pressionada e sentindo-se responsável por aquilo que não é de sua responsabilidade, isto é, a piora clínica do paciente, já que todos iremos morrer algum dia e nem a equipe e nem ninguém pode ser responsável por este acontecimento.

Outra situação é quando temos crianças como pacientes do cuidado domiciliar. É uma população que cresce, principalmente quando pensamos nas crianças sindrômicas.

Acompanhei um caso de uma criança que já podia ter alta do atendimento domiciliar, mas a família era resistente porque o suplemento alimentar que ela recebia do convênio acabava sustentando todas as outras quatro crianças da casa, seus irmãos. Uma família com 5 filhos que não tinha condições financeiras de sustentar a todos e contava justamente com a “ajuda” do filho doente para isto.

Como vimos, há muitas novas configurações familiares e é preciso entender qual é o funcionamento da sua família para que possa entender e se posicionar com relação ao cuidado domiciliar de seu ente querido.

Por hoje é isso! Compartilhe conosco sua história nos deixando um comentário.

Até o próximo post! 😉

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