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Cuidadora: vive na bolha do cuidado?
Isso é uma coisa que pode acontecer e que eu escuto muitos relatos tanto de cuidadoras familiares quanto de cuidadoras profissionais.
Então, depois que a cuidadora assume o papel, principalmente no caso da cuidadora familiar, ela não consegue interagir socialmente como fazia antes.
Ela se sente isolada porque a partir daquele momento só consegue pensar na patologia do seu familiar.
Há alguns anos a internet facilitou muito os estudos e pesquisas sobre todos os assuntos, como eu já escrevi em outro post, então elas passam a ler muitas coisas a respeito do cuidado e só conseguem falar sobre a nova rotina, ou como adquirir mais medicamentos mais baratos, conseguir fraldas pelo SUS e assim por diante.
E aí essa cuidadora acaba sec sentindo um peixe fora d’água no que diz respeito as relações com família, amigos, vizinhos que elas tinham antigamente, e acabam não conseguindo mais interagir.
Essa é a bolha do cuidado.
Isso pode acontecer e é bastante frequente.
O que acaba acontecendo com essas cuidadoras é que elas normalmente procuram grupos que vivem a mesma rotina que elas, ou grupos cujo familiar também tenha a mesma patologia que o familiar ou paciente dela.
Aí elas conseguem interagir socialmente, mas sempre falando e pensando no cuidado.
Essa história é familiar para você?
Se pararmos para refletir, isso é muito comum entre os seres humanos em qualquer âmbito de sua vida.
Pense, por exemplo, numa pessoa que acabou de iniciar uma dieta. Ao conversar, ela só falará da dieta, só falará sobre calorias, exercícios físicos, reeducação alimentar, e é assim com qualquer coisa nas nossas vidas.
Quando você consegue um trabalho novo só quer falar dele, ou entra num curso universitário e quer contar sobre as ideias que está aprendendo ali.
Enfim, quando entramos num nono universo é muito comum só querer falar, discutir e dividir ele com outras pessoas.
O importante é que a cuidadora possa manter o seu lado social.
O importante disso tudo é entender que você não está necessariamente isolada no mundo e o quanto é importante continuar cultivando esses laços com vizinhos, amigos, familiares e outros.
É importante perceber que você não está isolada nesse cuidado e o quanto existem outras coisas na vida que da para aproveitar.
Não é atoa que eu venho falando sobre esse assunto e até escrevi um texto sobre isso, sobre “A Importância do Lazer da Cuidadora“, basta clicar nele para ler.
O ideal é poder arejar esse ambiente de cuidado que é estressante, cansativo, super importante, exige dedicação bastante exclusiva em alguns casos, mas que também é importante areja-lo.
É importante que a cuidadora de idosos tenha sua vida social, nem que seja então com pessoas que vivem a mesma realidade dela.
É interessante a gente sair dessa bolha do cuidado perceber que existe vida além do cuidado domiciliar.
Ou perceber o quanto existem coisas que a gente pode gostar, querer e saber sobre e não só passar o tempo inteiro ali preocupada com casa, com nosso familiar, ou cuidado.
Esse é o texto de hoje.
Essa história te ajudou ou lhe é familiar?
Então deixe seu comentário aqui embaixo e nos dê a sua opinião.
Eu sempre leio e respondo a todos.
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Por mais que eu tente, e olha que eu tento… não consigo falar outra coisa, pensar em outra coisa…
É complicado, pois não estou no trabalho mas o trabalho está em mim.
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Desde que meu marido sofreu o avc, fico o tempo todo envolvida de alguma forma no cuidado dele e dos 4 filhos.
Acho que esqueci de mim.
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Magali, isso é muito comum. Nossa ideia aqui não é a de fazer o cuidador se sentir culpado, mas a de trazer a tona a reflexão. Fico feliz em saber que este artigo tenha despertado em você este pensamento de que pode ter se esquecido de você mesma no meio de tantos afazeres. Obrigada pelo comentário! Abraços
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No início eu fala muito, mas o tempo foi passado e comecei a me adapta com minha nova profissão de Cuidadora, mas não aconteceu o mesmo com minha irmã que cuidava direto de nossa mãe, ela sim ficou na bolha e foi neste momento que procuramos auxiliar pra que ela tivesse outros momento.
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Cleuma, olha que importante essa percepção! Não só não se isolar na bolha do cuidado, mas também não deixar a família passar por isso. Obrigada por compartilhar conosco! Abraços 🙂